LOGÍSTICA COLABORATIVA EM TRANSPORTE

LOGÍSTICA COLABORATIVA EM TRANSPORTE

Uma análise sobre a colaboração horizontal em fluxos logísticos – Uma tendência global para os próximos anos.

Wagner Irmer

27 anos, atua como Coordenador Regional de Logística, com sólida experiência em distribuição, movimentação e armazenagem. Graduado em Ciências Contábeis com MBA em Lean Manufacturing.

wagner.irmer@gmail.com

 

Colaborar é uma tendência global e busca a otimização mediante o aproveitamento de deslocamentos ociosos. Este modelo tem por objetivo ganhos quantitativos, por meio de parcerias entre empresas, além de ganhos qualitativos na integração da base de fornecedores, clientes e parceiros através de arranjos interorganizacionais. Em resumo, a Logística Colaborativa gera valor por meio do alinhamento do fluxo de informações com o fluxo de materiais entre empresas parceiras com prestadores de serviço em comum.

 O nível de competitividade que temos visto no mercado, atrelado aos constantes ajustes nos custos operacionais, estão transformando as operações e, consequentemente, o modo de pensar e agir dos profissionais de logística, ou seja, cada vez mais precisamos concentrar energia em estratégias que suportem a rápida difusão de informações. Ganhos quantitativos precisam estar alinhados a ganhos qualitativos, isto é, cada vez mais organizações exigem de seus profissionais ganhos e redução de custo em sinergia com nível de serviço, sendo este, o principal trade-off do profissional de logística.

Neste ano, notamos aumentos de até 30% em alguns circuitos de transporte, além da inflação no consumo, estimada em até 4,8% em Dez/18 e da participação da logística no PIB Brasileiro, próximo de 12%. Outro impacto no custo logístico está diretamente ligado a Matriz de Transportes do Brasil, que tem presença majoritária do modal rodoviário (> 60%), além da dimensão geográfica do território, que como sabemos, é continental. Em resumo, como grande parte do fluxo logístico acontece via rodovia, este modal de transporte é o foco de aplicação de inteligência logística neste momento.

Desta forma, a logística colaborativa surge como uma alternativa para ganhar flexibilidade, adaptabilidade e eficiência. Até porque, se tornou comum em uma análise de indicadores de desempenho, frente a importância estratégica vista individualmente, temos frete e outros custos logísticos descolados de suas metas e sendo prioridade de ações imediatas para evolução.

Cooperação e competição são, em geral, posturas opostas em relações interempresariais. Na competição, as empresas têm objetivos conflitantes: para que um ganhe, é preciso, na maioria das vezes, que outro perca. Na cooperação, há objetivos comuns: o ganho de um não exclui o de outro. A colaboração também suporta outro gargalo presente nas operações, a flutuação de demanda e a concentração do volume, ou seja, com a flexibilidade entre os parceiros em comum, é possível expandir a base operacional de fornecedores homologados para o atendimento nos períodos sazonais.

Como é definido o Fluxo de Colaboração?

É preciso que um modelo sinérgico seja encontrado entre as empresas que pretendem inserir fluxos no modelo colaborativo, Isto deve estar alinhado a quebra do paradigma de concorrência para que resultados plausíveis de otimização e sustentáveis a mutabilidade do cenário mercadológico sejam encontrados.

 

Em quais pilares a Logística Colaborativa deve se fundamentar?

 

  • É preciso fomentar a confiança e os valores mútuos necessários para suportar operações estratégicas coordenadas, ou seja, não pode haver em um processo colaborativo o benefício unilateral;
  • É fundamental que exista confidencialidade de informações em função da interação dos negócios e fluxos logísticos. Geralmente este pilar tem apoio documental de um termo de confidencialidade bilateral e da validação jurídica das partes;
  • A colaboração precisa ser sensível as oportunidades das partes, principalmente, a possíveis pontos de melhoria das operações. Os parceiros devem estar dispostos a lidar com outliers dentro do negócio;
  • Com a redução de veículos ociosos em trânsito, haverá diminuição da emissão de CO², extremamente danoso a atmosfera de nosso planeta.

 Por quais fases o processo de colaboração passa até o Go Live?

  • A predisposição em colaborar leva as empresas a se reunirem para entendimento das particularidades e necessidades operacionais. Para tal, devem-se dividir papéis e responsabilidades, delineando a forma de como serão compartilhados o planejamento e as informações inerentes ao processo. Neste kick-off, inevitavelmente a dependência mútua é gerada entre os players, pelo menos no volume em que optarem pela colaboração. Por isso, é recomendável que o processo colaborativo tenha cadência e passe por uma fase de maturidade dentro das organizações e que este período de aprendizado sirva para aperfeiçoamento e ajustes;
  • É necessário que sejam mapeadas informações operacionais entre as partes, bem como especificidades de áreas de apoio de forma independente, tais como Qualidade, Segurança e afins. Estas particularidades precisam estar em linha com o perfil dos parceiros operacionais que irão executar os serviços logísticos;
  • As possibilidades de circuitos sinérgicos são exploradas neste momento, contudo, recomenda-se que os ganhos quantitativos sejam negociados com os parceiros operacionais de forma independente entre as empresas que buscam a colaboração, pois é comum que existam dispersões na tabela de remuneração aos parceiros logísticos entre as empresas;
  • A redução de custos origina-se por meio da fidelização de parceiros de execução em determinados circuitos em comum, ou seja, um Transportador que atende a Companhia A, pode passar a atender também a Companhia B, pois estas estão buscando colaboração e, com isso, aumenta seu volume e diminui sua ociosidade de frota, por exemplo;
  • A volumetria, o faseamento deste volume e a análise do footprint das partes interessadas em colaboração são primordiais, pois será o baseline para a seleção dos prestadores de serviço e do quanto cada empresa vai ceder de seu volume para este processo. Além disso, são informações cruciais para a apresentação de um projeto de redução de custo operacional.

Um processo de Logística Colaborativa bem estruturado, com métricas confiáveis e plena aderência a sinergia de fluxos logísticos, tem um reflexo econômico de grandes dimensões às empresas que o adotam e aos parceiros logísticos que o executam. É o modelo ganha-ganha em execução!

 

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