SUPPLY CHAIN, INTERNET E UMA LOGISTICA PRA LA DE NERVOSA.

SUPPLY CHAIN, INTERNET E UMA LOGISTICA PRA LA DE NERVOSA.

Paulo Roberto Bertaglia

Autor do livro: LOGISTICA E GERENCIAMENTO DA CADEIA DE ABSTECIMENTO.

Conheça o autor: https://www.linkedin.com/in/paulobertaglia/

 INTRODUÇÃO

Estive participando de alguns debates e círculos de conhecimento recentemente com alguns colegas de Supply Chain e abordamos temas referentes aos grandes varejistas de comércio eletrônico que tem elevado as suas barras de desempenho no que tange à cadeia de abastecimento.

É importante entender que a agressividade imposta por estas organizações para melhorarem os seus níveis de serviço, gera um significativo impacto também nos fabricantes, uma vez que eles passam também a ter o compromisso em atingir novos níveis de previsibilidade e tempo de resposta.

NIVEIS DE SERVIÇO

O modelo de membros “prime” da Amazon representa mais de 50% dos seus clientes. Compreender a importância de se atender bem a estes clientes é vital, uma vez que eles gastam em média o dobro daqueles clientes que não são membros de tal serviço. Os clientes preferenciais (“prime”) segundo dados levantados pela Mckinsey gastam cerca de US$1300 por ano, enquanto os não “prime” gastam cerca da metade deste valor. O benefício principal de se filiar e tornar-se um membro seleto da Amazon é que o prazo de entrega é de 2 dias e sem custos adicionais de frete. Portanto a expectativa é extremamente alta.

Para atingir este nível de serviço a Amazon tem investido pesadamente em sua infraestrutura logística. Atualmente a malha logística da empresa não é apenas gigantesca, mas também extremamente eficiente, incluindo baixos níveis de estoque. Os itens são separados, embalados e ficam aptos ao transporte duas horas depois que o cliente coloca o seu pedido. Isto se deve basicamente ao alto grau de automação e integração existente nas diversas operações, desde o recebimento do pedido até a sua separação.

Importante salientar que onde a Amazon tem marcado presença e saído na dianteira, faz com que o resto da indústria a siga imediatamente. Outro gigante, a Wal-Mart está desenvolvendo uma rede de distribuição dedicada ao mundo do Comércio eletrônico o qual irá permitir entregas no dia seguinte para os pedidos colocados online para cerca de 90% da população dos Estados Unidos. Incrível. Este nível de serviço tem sido uma busca incessante dos grandes varejistas americanos e seguramente somente será conseguido através do uso adequado e apropriado de tecnologia. Outros grandes varejistas também têm feito investimentos para assegurar suas posições no mundo da internet comprando concorrentes e mesmo operadores logísticos, que fazem entregas no mesmo dia, bem como desenvolvendo as suas habilidades internas para atender as necessidades de atendimento dos pedidos.

A PRESSÃO AUMENTA SOBRE OS FORNECEDORES

À medida que as promessas de níveis de serviço vão aumentando, os varejistas esperam que seus fornecedores compartilhem o ônus proveniente desta estratégia. Mas de que forma? Bem, como já sustentava Michael Porter em suas definições de forças competitivas, o poder de barganha tem influenciado fortemente a que os varejistas imponham penalidades para aqueles fornecedores que falhem no atendimento dos níveis de serviço contratados. Algumas empresas usam o artifício da multa para o caso dos pedidos se atrasarem, enquanto outras cobram um percentual do preço de compra para pedidos que são entregues de forma imperfeitas. E notem que muitas dessas empresas têm reduzido o prazo das entregas pela metade o que traz enormes problemas para a adequação dos fornecedores.

Caso as penalidades venham a se tornar um hábito na indústria,

isto poderá criar um dilema para os fornecedores

que verão as suas margens sofrerem significativa erosão.

COMO O DESEMPENHO DA CADEIA DE ABASTECIMENTO PODE FAZER A DIFERENÇA

Em um mundo extremamente globalizado, de logística altamente complexa e de altas exigências por níveis de serviço, há um desconforto muito grande por parte dos fornecedores que levam seus produtos até os varejistas.  

Por outro lado, isto pode também significar uma imensa oportunidade. Aquelas empresas que podem e tem a capacidade de melhorar o seu “supply chain” para atingir ou superar as expectativas demandadas pelos varejistas podem evitar as dolorosas penalidades que irão corroer às suas margens.

Adicionalmente, elas também terão a oportunidade de estar à frente dos seus concorrentes e capturar significativa participação de mercado, aumentando a sua importância nos canais de comércio e assegurando o status de fornecedores preferenciais com a maioria de seus clientes.

Atingir o desempenho exigido pelos clientes varejistas usando indicadores OTIF (On Time In Full, entrega no prazo e sem faltas) principalmente para o nível de complexidade que se apresenta nos pedidos atuais, vai exigir que os fabricantes tenham uma visão holística da sua cadeia de abastecimento e preste atenção nas estimativas de vendas, planejamento e nas operações de produção e distribuição.

OTIF (On Time In Full, entrega no prazo e sem faltas é um indicador bastante comum nos segmentos de bens de consumo e varejo)

Contudo existem algumas necessidades onde as empresas precisam trabalhar para se tornarem competitivas na sua cadeia de abastecimento. Eu vou apresentar a seguir alguns itens, sem a intenção de esgota-los, que julgo sejam bastante oportunos e interessantes e que as empresas de alguma maneira já estão fazendo para ganharem mais competitividade na área de “supply chain”.

  1. MELHORIA NAS ESTIMATIVAS

O grande problema das estimativas está essencialmente na sua previsão com respeito ao nível de granularidade e os horizontes mais distantes. Atualmente com o avanço da tecnologia, capacidades de análise, Big Data, conceitos de machine learning há uma viabilidade bastante forte de melhorar a acurácia das estimativas, mesmo as mais sofisticadas, usando algoritmos mais eficazes.

  1. FLEXIBILIDADE

As diferentes áreas e funções dentro da organização, precisam trabalhar integradas para que haja uma execução contínua e ao mesmo tempo flexível dentro da cadeia de abastecimento. Para isso as operações de armazenagem e de produção devem trabalhar em um modelo confiável, eficiente e ágil para atender as necessidades de níveis de serviço buscadas pelos varejistas. E para atingir os patamares acima descritos, as organizações precisam utilizar uma combinação de tecnologias modernas e processos muito bem modelados, além da disciplina da execução, a meu ver um dos pontos débeis das organizações. A aplicação de conceitos da logística enxuta ou “supply chain” enxuto como método, é fundamental para a melhoria do desempenho permitindo que os níveis dos erros sejam minimizados, além de aumentar a confiabilidade do processo como um todo.

  1. NOVAS DINÂMICAS E MODELOS DE RELACIONAMENTO

Os modelos de relacionamentos logísticos precisam evoluir para um contexto de colaboração que ofereçam maior flexibilidade e agilidade para viabilizar o atendimento atender às demandas necessárias e solucionem os problemas operacionais rapidamente antes que provoquem rupturas na cadeia podendo gerar multas e penalidades.

CONCLUSÃO

O objetivo do texto não é esgotar a quantidade de elementos que podem ser utilizados para melhorar a cadeia de abastecimento.

Muitas oportunidades existem, e as empresas precisam caminhar em busca das melhorias sustentáveis que aumentem o desempenho da “supply chain”.

 Tais elementos tomam tempo e demandam investimentos; além de incrível criatividade para entender como os processos, novos modelos, infraestrutura e tecnologia podem atender as necessidades dos varejistas e das promessas que são feitas aos consumidores finais. No final a visão fim-a-fim da cadeia irá fazer uma enorme diferença para trabalhar tais elementos. Apenas uma reflexão. Pensar é fácil, executar é difícil. Porém fazer sem raciocinar é o pior dos mundos!

Nos vemos na próxima oportunidade e que a força esteja conosco!

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