Logística – futuro da humanidade a mercê de uma ciência

 

Logística – futuro da humanidade a mercê de uma ciência

Sintetizar o termo logística pode ser bastante desafiador. Tudo bem que esse não é o objetivo do presente artigo, mas confesso, não consegui resistir à tentação de tentar grafar mais uma das muitas definições para o tema, uma com minha própria visão, com meus próprios valores. Pensei que isso poderia ser interessante ao leitor. Talvez não seja.

Acadêmicos do mundo todo, ao longo da história, tem se esmerado muito para alocar uma definição apropriada à terminologia mencionada – uma ciência antiga, porém com “requintes” de atualidade futurística – Logística. Considerada profissão do futuro de maneira injusta. Como uma ciência tão antiga e importante para a evolução da humanidade nunca foi considerada a profissão do presente?

Do grego, remetendo a contabilidade, e do francês, com etimologia procedente de “logistique“, historicamente, desde a rota da seda, primeiramente nações, e atualmente empresas, se utilizam dessa ciência, para obtenção de vantagem competitiva sobre seus concorrentes. O que não é possível compreender, já que em todas as planilhas e ERP´s que conheço, logística sempre está encaixada no plano de contas como custos, nunca como investimentos. Mal presságio?

O objetivo da logística, no final das contas, resumindo os milhares de conceitos disponibilizados por acadêmicos e altos executivos de grandes corporações, consiste em uma simples equação mercadológica, e é assim desde os primórdios da humanidade – “entregar o mais rápido possível e de forma integra, com o menor custo possível, um bem ou serviço, para alguém que o deseje e tenha capacidade econômica para pagar por ele”. Pronto, realizei meu sonho, criei minha própria versão acerca da definição.

Foi dessa forma, que durante milhares de anos, a expertise na utilização da Rota da Seda foi fator preponderante para empoderar nações. Foi assim também com as especiarias das Índias, que culminou no “descobrimento” do Brasil. Portugueses buscavam rotas comerciais alternativas para acessarem àquele mercado de maneira segura e com menor custo. Em resumo, todos, que obtivessem acesso à bens e serviços desejados pelo “mundo civilizado”, e conseguisse levar esses bens, mais rápido e de forma integra, para essa sociedade, ávida pelo consumo, obteriam vantagem sobre os demais. Parece que não mudamos tanto. Ou mudamos.

O que mudou desse tempo para hoje? Na questão conceitual, nada. O objetivo é o mesmo. A tecnologia empregada para assegurar a gestão de transporte e entrega desses bens e serviços foi a única mudança. Os meios para tal. Caravanas por terra com o tempo deixaram de fazer sentido econômico e então com o avanço da tecnologia, vieram os caminhões, as linhas férreas, os aviões, os navios de carga, os contêineres. Vieram os aplicativos, as ferramentas de gestão para armazenamento, os softwares de controle de indicadores, os 4 PL´s. Surgiram as empresas especializadas no serviço de proporcionar para aqueles que desejam o bem ou serviço o meio de acesso para que esse produto de desejo chegue até eles de maneira mais rápida, integra e com menor custo. Interessante?

O que poucos percebem, é que estamos nesse exato momento, em um período de transição histórica, muito relevante e importante para a humanidade. Mas como mencionei, poucos percebem, e esses poucos ganham muita vantagem competitiva sobre os demais com essa percepção. Assim como no passado, a logística, uma ciência altamente complexa em termos de aplicação, mas extremamente simples em sua finalidade, novamente assume um papel de grande importância e relevância nessa transformação social e geopolítica.

Com a utilização de novos mecanismos como computação em nuvem, big data, IoT, inteligência artificial, machine learning, Darwin tem se feito presente em nossos dias no que tange a ciência logística. A evolução, na realidade, nesse momento, se torna revolução, e bens e serviços do mundo todo encontram-se conectados em tempo real, oportunizando acesso para quem o deseje, desde que tenha condições econômicas para tal. Tudo isso com uma velocidade jamais antes vista. Como as empresas ainda consideram a logística um custo? Como nações como a nossa ainda não se deram conta de que sem logística eficaz não é possível a construção de uma sociedade melhor.

A recente, e ainda vigente pandemia de COVID-19, nos aproximou ainda mais de um futuro, no qual, todos podem ficar em suas casas, ou em qualquer lugar do mundo, à sua livre escolha, e ainda assim acessar informações, bens e serviços, de maneira rápida e íntegra ou nem tanto. Tudo devidamente gerenciado e oportunizado pela… Logística!

A mesma logística, ciência, que permitiu que o planeta fosse habitado em seus diferentes continentes, que permitiu que alimentos produzidos em terras brasileiras fossem servidos, ainda frescos, em pratos no extremo oriente, que permitiu que serviços pudessem ser acessados por aplicativos de qualquer lugar do mundo, nesse instante pode permitir que drones realizem entregas, que veículos autônomos realizem transporte de pessoas e de carga, que comunidades inteiras possam acessar bens e serviços provenientes de qualquer lugar do planeta. Tudo utilizando tecnologias de gestão com algoritmos extremamente complexos – sistemas inteligentes.

No final das contas, a logística está presente em tudo, e na vida de todos nós, mesmo que muitos não entendam a importância da ciência mencionada, é a gestão logística que torna possível o mundo como ele é hoje. Lembram-se da greve dos caminhoneiros? Da água tratada à energia elétrica, do bem ou serviço que desejamos e podemos consumir, dos alimentos que são colocados em nossas mesas. Logística conecta pessoas, lugares e até pensamentos.

Abordamos nesse artigo, o passado e o presente, e devemos ponderar a respeito do futuro. Exercitar ideias sobre o que pode acontecer ao mundo, às sociedades, às relações, passa diretamente, e impreterivelmente, pela compreensão e otimização da logística.

Talvez o futuro de um mundo mais promissor esteja condicionado aos rumos das tecnologias empregadas na logística, e isso, mesmo que fatores geopolíticos possam tentar limitar ou inibir essas conexões. Independentemente da vontade dos governantes mais poderosos do planeta, por mais que hoje, isso aparente alguma utopia, conexões tendem a ser realizadas, por meios disruptivos, que permitam, através da logística perfeita, conexões que transcendam o simples trânsito de bens e serviços.

A próxima revolução, a qual já se encontra em andamento, não se trata de uma revolução industrial e sim de uma revolução logística. Nações e empresas que perceberem isso terão grande vantagem competitiva e talvez descubram novos “continentes”. Permito-me pensar e inferir que estamos apenas no início da nova era da rota da seda no que tange a tecnologia de entrega.

Entrega que nesse contexto tem significado muito mais amplo do que simplesmente o recebimento proporcionado. Refere-se ao fazer chegar algo a alguém e sobre como esse algo chegou, sem limitações, com velocidade exponencial, integridade, rastreabilidade e até mesmo sentimentalização por parte do destinatário acerca do bem ou serviço ao qual ele pôde ter acesso.

O mais assustador, é que no futuro, essas empresas extremamente especializadas em logística talvez não tenham veículos, caminhões ou trens. Aviões, apenas para transporte do CEO da companhia. Drones e veículos autônomos movidos a energia limpa se candidatam a protagonistas da sociedade moderna. Além disso, a atuação dessas empresas com plataformas colaborativas são realidades que assumem posições importantes em detrimento do mercado convencional.

CD´s Inteligentes, com gestão conectada, informações precisas, inclusive sobre o perfil de cada consumidor, visão geral da cadeia e automatização de processos, inclusive, os de entregas, podem transformar o mundo e a forma como o vemos. Questão de tempo? Talvez. Eu prefiro acreditar que essa revolução já se iniciou e somos parte dela.

Tarcisio Augusto Dario

Diretor de Operações

Horus Telecom – Distribuidora de Soluções Tecnológicas

http://www.horustelecom.com.br

 
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